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22/03/2008 23:46

Como sobreviver a uma reforma

Se você, como eu, tem a idéia maluca de fazer uma reforma na sua casa – com toda sua família e móveis dentro, siga minhas dicas – antes que algum parente a interne... rssss



Primeira e importantíssima dica: Nunca confie totalmente na palavra do mestre-de-obras/pedreiro – É como “Papai Noel” ou “Coelhinho da Páscoa”: se você tem mais de cinco anos de idade e não é totalmente ingênua...



Segunda dica: prepare-se para conviver com pó, muito pó. Ele vai tomar conta de tudo, como um desses monstros de filme de terror, vai ocupar todos os cantinhos da sua casa, vai entrar dentro de você!



Terceira dica: cuidado com a lista de material! Ou vai sobrar ou vai faltar. Pergunte várias vezes ao seu mestre-de-obras se ele tem certeza de que a quantidade é essa mesma. (Eu acabei comprando o dobro de cal e blocos e dois terços da quantidade de telhas que precisava). Lembre-se: pouquíssimas lojas de material de construção aceitam trocar aquela sobra de cal pelas telhas que faltam.



Quarta dica: tenha muita, mas muita paciência. O pedreiro não vai se incomodar se quebrar aquele seu lindo (e caro) vaso de porcelana que “estava no caminho da escada” nem de matar sua roseira favorita por ter deixado cair uma quantidade absurda de cimento no seu canteiro, etc.



Quinta dica: nunca, mas nunca mesmo, pague antes do serviço terminar. Pode até dividir o pagamento em partes, mas a última parcela (e maior) só deve ser paga quando tudo estiver pronto e testado.



Mais dicas? Assim que eu conseguir que terminem a minha reforma (que já está durando o dobro do previsto e ainda não fizeram nem a metade), se conseguir sobreviver, lhes direi...




Kith | comentários(0)



20/01/2008 11:19

Preconceito




É difícil falar sobre esse assunto.

Qualquer coisa que se diga, soa como preconceito, as pessoas sempre interpretam o que se diz, usando “sua” visão do assunto.

Eu chego a ter medo do “politicamente correto”, que nos cerceia, castra nossos pensamentos.

Quanto era estudante, freqüentei uma escola católica. Na hora das aulas de religião eu ficava no pátio, junto com mais dois ou três outros colegas, já que sou judia (eles eram budistas).

Um dia, depois da aula de religião (que era exatamente antes do recreio), um colega veio até onde eu estava e simplesmente socou meu rosto. Só parou quando o “bedel” conseguiu imobilizá-lo. Ele estava furioso. E eu, no meio da dor, não conseguia entender o que estava acontecendo. Fomos levados à diretoria (antes mesmo de cuidarem de meus ferimentos – meus lábios sangravam e meu olho esquerdo estava cego temporariamente). Questionado sobre o porquê da violência, o coleguinha respondeu ainda furioso: “Ela (a judia) matou Jesus!”.

Era o que havia acabado de aprender na aula de religião: ter ódio dos judeus. E eu paguei pela ignorância do padre-professor.

Passei quase toda minha infância e adolescência tendo vergonha e medo da minha religião.

Por causa da “verdade” da maioria católica, me sentia segregada.

Cresci e aprendi a defender meu direito de ter orgulho de ser judia. A defender meu direito de me sentir tão boa quanto qualquer outro ser humano (confesso que, às vezes, até me sentia melhor, pois nunca discriminei nenhuma religião).

Agora tenho que enfrentar outro tipo de preconceito: o de cor.

Como assim? Explico:

Faço parte de uma minoria branca, num país de mestiços (que não se reconhecem como tal) onde está surgindo, nos últimos anos, uma onde de consciência negra. Ao mesmo tempo em que se incute na cabeça dos negros e mestiços o orgulho de sua raça, alegam que o orgulho de raça para os brancos é uma monstruosidade.

O negro, que não é a minoria por aqui (os brancos sim), tem cotas, direitos, etc.

Nessa época de “politicamente correto”, pode-se usar uma camiseta escrita “100% NEGRO”, com orgulho. Mas vá se colocar uma escrita “100% Branco” pra ver o que acontece!

Eu acho que TODOS têm o direito de ter orgulho de ser o que é.

E eu tenho, e mesmo contra tudo e todos, vou sempre ter orgulho de ser uma “euro-descendente”.


Kith | comentários(0)



31/10/2007 22:02

A Praia




Dia 12 de outubro. Dia de Nossa Senhora Aparecida.

Feriado Nacional.

Resultado: praia cheia, fila no supermercado, na padaria, trânsito “paulistano”...

Mas, à noite, um belo show na praça central: Agnaldo Rayol.

E lá fomos nós.

Pensando “como brasileiros”, achamos que o show marcado para as 9 horas atrasaria. Saímos de casa as 10 pras 9 h. Mas o show começou no horário! Resultado: perdemos o começo.

Chegamos quando Agnaldo cantava “Fascinação”. Que maravilha! Justamente a música que dançamos no nosso casamento! Quer melhor do que isso?

Pois teve: ele cantou “Gioconda”, “Martírio D’Amore”, “Nossa Senhora”, “Ave Maria”, “Maria, Maria” e no final “A Praia”.

Aí eu “viajei”...

Voltei pros anos 60. Vi-me frente á TV (em branco e preto) assistindo ao “Corte-Rayol Show”, vibrando com o “vozeirão” daquele jovem e belo cantor, com o carisma dele e do seu colega de palco o inesquecível Renato Corte Real.

Lembrei-me do show especial que foi ao ar para consagrá-lo como o “Rei da Voz”. Lindo show... Que foi interrompido, justo no momento em que ele apareceu, pela propaganda política!

Lembro-me que liguei o rádio e acompanhei o áudio do programa.

Lembro-me dele dizendo que não merecia tanta honra, mas que recusar seria como fechar os braços para não ser abraçado...

E agora, tantos anos passados, eu o vi cantar ao vivo pela primeira vez. Justo no show em que ele comemora 50 anos de carreira.

E que voz tem esse senhor! Continua alcançando notas altíssimas e segurando o fôlego por tanto tempo que nos fez perder o nosso!

Foi um show arrepiante, para ser ouvido a dois...

E quando ele cantou “A Praia” não resisti: voltei-me para meu marido e o tirei para bailar... Assim como centenas de casais fizeram.




Kith | comentários(0)